Estudantes da turma especial de Cacoal (RO) encerram mestrado profissional com programação na Escola Politécnica
Julia Neves
Estudantes da turma especial de Cacoal (RO) do Mestrado Profissional em Educação Profissional em Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) estiveram no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 26 de março, para a etapa final do curso. A programação incluiu oficina de produção técnico-científica e a cerimônia de encerramento da formação. O encontro reuniu discentes, docentes e representantes institucionais, dentre eles Marcela Milrea, diretora do Instituto Estadual de Educação em Saúde Pública de Rondônia (Iespro), que representou o Governo do Estado de Rondônia.
A vinda ao Rio de Janeiro marcou não apenas o encerramento do curso, mas também a oportunidade de troca presencial entre estudantes e docentes. Os estudantes apresentaram os resultados de suas dissertações, evidenciando experiências e desafios do cotidiano dos serviços de saúde, e participaram de uma oficina voltada à elaboração de produções técnicas e científicas.
A programação incluiu ainda visitas a diferentes espaços da Fiocruz, como o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), o Museu da Vida e o Castelo Mourisco, aproximando os estudantes de ambientes de pesquisa, ensino e divulgação científica.
Para a estudante e enfermeira Eldya Flávia Ramos, conhecer o campus da Fiocruz foi “fechar com chave de ouro” o curso de mestrado. “É impossível não se emocionar ao caminhar por um lugar que respira e vive o SUS em sua essência. A Fiocruz é mágica; é o berço da saúde coletiva, onde a história da ciência brasileira se mistura ao presente de luta por uma saúde pública digna e universal”, ressaltou.
Ao comentar a experiência de fazer parte da turma de Cacoal, Eldya falou sobre o percurso formativo: “Durante dois anos, a distância geográfica foi vencida pelo compromisso. Fomos assistidos por um corpo docente da Escola Politécnica que não mediu esforços, atravessando o país para nos encontrar em Rondônia e mantendo um suporte remoto incansável, garantindo que a excelência acadêmica chegasse ao interior. Saímos dessa experiência não apenas com um título, mas com a alma renovada e o compromisso reforçado com a saúde pública”.
A turma foi constituída a partir do acordo nº 052/2023, firmado entre a Fiocruz e o Governo de Rondônia, por meio do então Centro de Educação Técnico-Profissional na Área da Saúde de Rondônia (CETAS/RO), atual Iespro, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A iniciativa teve como objetivo qualificar profissionais para atuar como apoiadores e preceptores em programas de residência, além de fortalecer a gestão da saúde no estado.
Para o processo seletivo, foi formada uma Comissão Especial entre os docentes do Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional em Saúde da EPSJV (PPGEPS), que analisou os projetos, os memoriais e realizou entrevistas com os candidatos. A turma selecionada — 22 alunos — foi formada por trabalhadores da assistência hospitalar, que apresentaram, em sua maioria, pré-projetos com temáticas de investigação a serem desenvolvidas nesse espaço, inicialmente voltadas a protocolos clínicos e à organização dos processos. Os projetos foram ajustados junto aos orientadores, com o objetivo de aproximar temáticas, objetos e objetivos às especificidades do Mestrado em Educação Profissional em Saúde.
Experiência formativa e impacto no SUS
Para a coordenadora do Programa de Pós-graduação em Educação Profissional em Saúde da EPSJV, Ialê Falleiros, a experiência de Cacoal se configurou como um importante laboratório in situ da dimensão profissional do Mestrado da EPSJV. “Embora as turmas da RET-SUS já tenham sinalizado essa perspectiva, a turma de Cacoal aprofunda e radicaliza essa experiência em diversos sentidos: seja no desafio de orientar projetos de intervenção, no esforço de reprogramação das disciplinas, no recurso ao modelo concentração-dispersão, na possibilidade de elaboração de produtos técnicos e no impacto social que será produzido a partir das dissertações defendidas”, afirmou.
Mais do que uma etapa final, a vinda ao Rio simboliza a conexão entre territórios e instituições na construção de estratégias para o SUS. Ao retornarem a Rondônia, os profissionais levam consigo não apenas o certificado, mas também o compromisso de multiplicar o conhecimento nos serviços onde atuam. “Estamos muito felizes e estimulados com a possibilidade desses trabalhos se tornarem artigos de referência para o estado de Rondônia e para o campo interdisciplinar trabalho, educação e saúde”, concluiu Ialê.